Intimidade com Deus, Relacionamentos

Sua Majestade, o Nenê

Que nesse natal Jesus não fique na sua estrebaria, porque há lugar melhor para Ele em sua vida.

Você lembra daquela famosa cena de natal em que os pais de Jesus vão batendo na porta das hospedarias em Belém e, uma a uma, a resposta é a famosa frase “não há lugar”? Você provavelmente já até encenou o episódio ou já cantou sobre ele quando era pequeno. Então, esqueça isso!

Não é necessário muito esforço para perceber que “algo de errado não está certo” aí. Primeira coisa: por que uma cidade do tamanho de Belém teria tantos hotéis? Segunda: eu gosto de acreditar que o homem que Deus escolheu para ser o pai de Jesus na terra era mais inteligente do que levar uma mulher já com dores de parto para uma viagem de Nazaré a Belém em um jumento. O texto de Lucas 2:6 fala que eles já estavam em Belém quando os dias da gravidez se completaram. Então, por que continuamos contando essa história para as crianças? Dois motivos básicos:

1) Tradição
2) Porque o que aconteceu provavelmente foi muito mais triste. 

A hospitalidade era um valor importante entre os judeus e também em outras culturas do Antigo Oriente Médio – tanto que, quando os samaritanos não foram hospitaleiros com Jesus, João “só” quis pedir fogo do céu sobre eles. Suas casas, muito comumente, tinham um lugar próprio para visitas, um “quarto de hóspedes”, que era chamado hospedaria. E Lucas, o escritor, toma o devido cuidado de, no grego, diferenciar essa hospedaria daquela da história do Bom Samaritano (Lc 10:34); essa sim era uma pousada. 

Contudo, ainda podemos pensar: outros chegaram antes deles e ficaram no quarto de hóspedes, afinal, muita gente foi a Belém por conta do censo. Infelizmente, não creio que tenha sido assim. Lucas 2:7 diz que “não havia lugar para eles na hospedaria”. José possivelmente estava em casa de parentes, e estes deviam recebê-lo. Mas, receber aquele casal, com uma história de gravidez mal contada, e ainda colocá-los em um lugar de honra na casa? Aí era demais! Melhor que fiquem na estrebaria, em um canto qualquer, para não contaminar a mente de outras jovens com essa história de gravidez antes do casamento. Enfim, deixa Jesus na estrebaria, não porque não haja lugar lá dentro da casa, mas porque essa criança é muito inconveniente. 

Podemos até ficar revoltados com uma atitude dessas vindo da própria família de José, mas o problema é que corremos forte risco de fazer a mesma coisa. Não acho que algum de nós exclui totalmente Jesus do natal, mas receio que todo espaço que damos para Ele se resuma à oração que fazemos antes de comermos e nas mensagens que mandamos de forma automática para nossa lista de contatos. Assim, ficamos com a consciência tranquila porque “não deixamos Jesus de fora”, mas fazemos igual sua família: não deixou completamente na rua, mas de forma nenhuma o trouxe, de fato, para dentro. Não porque não haja lugar em nossa vida, afinal, sempre há lugar para o que é essencial, mas porque não queremos esse inconveniente. 

Se eu trouxer Jesus para dentro, vou ter que arcar com as consequências, vou ter que tomar partido ao lado dele, carregar a vergonha de sua história! Se ele vier para dentro de casa, terei que modificar várias coisas (e que já teve bebê em casa, sabe disso). Quando eu deixo Jesus na estrebaria mais uma vez se cumpre João 1:11, veio para os que era seu, mas os seus não o receberam. 

Que nesse natal Jesus não fique na sua estrebaria, porque há lugar melhor para Ele em sua vida. Que você leve Ele para dentro e que Ele modifique TUDO. E, por mais que nestes tempos seja inconveniente assumir Jesus em cada ato, que Ele seja, de fato, “a sua majestade, o nenê”.

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